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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Hoje a cozinha é deles #01


Este é um cenário comum cá em casa: 4 mãos pequeninas de volta de utensílios de cozinha. Podíamos concluir que elas gostam de estar na cozinha, porque me vêem lá muitas vezes e muito tempo. Mas a verdade é que também proporciono as condições para que isso aconteça.

A semana passada falei-vos dos pequenos ajustes que fui fazendo na cozinha para que se tornasse mais convidativa para elas. Hoje começo uma série de posts com ideias de como os incluir nas tarefas diárias da cozinha, assim como as vantagens que isso traz. 

Se pesquisarem na internet por actividades com crianças na cozinha, vão aparecer uns gráficos e umas tabelas bem bonitinhas a partir dos 2 anos de idade. 2 anos? Caros leitores, informo-vos de fonte segura que a pequenada consegue participar em algumas actividades de cozinha bem antes disso (bem antes mesmo). A T. ainda não tem 20 meses e quantas vezes já viram as mãozinhas dela a mexericar na preparação da comida?




Hmmm, esta vez não conta, 'tá? Ela estava a atestar a qualidade da matéria prima... 



Esta vez está melhor... Ela tinha apenas 14 meses! Misturou a fruta com o iogurte e percebeu a lógica de colocar a mistura dentro das forminhas.




Quem fala em mistura para gelados, fala também em massa para formas de queques, por exemplo, ou dispor porções de arroz, massinhas, ou legumes em pedacinhos, em taças para servir ao almoço ou ao jantar. 


Planeando tardes divertidas na cozinha, podem sempre pensar em fazer umas bolachas, ou uns pretzel bites para o lanche. Nesta foto a T. tinha apenas 17 meses e já percebia como aplicar força no cortador para cortar os pedacinhos de massa.



Aqui é a L. com apenas 19 meses, numa tarde divertida as fazer bolachas. 

Resumindo, ali por volta dos 12-15 meses, quando começam a andar e a querer decidir para onde vão e o que fazem, é uma boa altura para os apresentar às lides da cozinha. Começar com coisas pequenas e simples e nunca subestimar as suas capacidades. Se vão acabar com uma cozinha limpa no final? Nem pensar! Mas se vão estar a contribuir para um longo e bonito percurso da educação alimentar? Definitivamente. 

Regra importante: nunca obrigar ou forçar. Há que os convidar a participar, e garanto que a grande maioria vai querer. Depois é ir orientando e conduzindo, e daqui a uns dias terão verdadeiros ajudantes de cozinha. 

Fica a lista de algumas coisas que os pequenos podem fazer antes dos 18 meses:

- Passar alimentos de um recipiente para outro, com a mão, ou colher (servir um prato para a refeição, ou preparar alimentos para guardar, ou massas e preparados para queques, bolos, pudins, etc);

- Misturar massas "leves" com uma colher (não têm força suficiente para misturar a massa de um bolo, por exemplo, mas sim uma mistura de iogurte e fruta, ou uma massa mais liquida);

- Misturar massas "pesadas" com as mãos;

- Cortar massas de bolachas;


Estas são só algumas sugestões, mas há muito mais coisas que poderão fazer. Sintam-se na liberdade de comentar e aumentar esta lista com actividades que os vossos pequenos com menos de 18 meses fazem na cozinha. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Querido, Montessori-ei a cozinha!



Não há dúvidas que a cozinha é o meu local preferido da casa (foi um 31 arranjar uma casa com uma cozinha decente, os arquitectos dos dias de hoje andam loucos). Se nunca disse aqui no blog, a pedagogia de Montessori enche-me as medidas na educação das meninas. Acho que é algo bastante subliminar no blog, já que é frequente verem aquelas mãozinhas gordas a trabalharem arduamente nas diversas actividades culinárias que lhes proponho. Não seria de espantar que eu tornasse a minha cozinha num lugar convidativo para elas. Foi gradual e na altura nem conhecia bem o conceito de Montessori.

A primeira vez que ouvi falar em pedagogia de Montessori foi num programa de televisão, assim bem cor-de-rosa, acho que foi no Giuliana & Bill. Aquilo encaixou-se na minha mente e visão, e conclui que praticava esse tipo de pedagogia com L. (na altura ainda só a tinha a ela), sem saber. Já tínhamos o quarto muito "montessoriano": cama acessível (baixinha), mesinha de trabalho, cadeiras pequeninas, cestas com brinquedos e materiais, tudo à altura dela, para que pudesse autonomamente fazer as suas brincadeiras e actividades. Daí até chegar à cozinha foi um saltinho.

Sendo o espaço no qual passo mais tempo (por razões variadas, mas sobretudo porque a minha cozinha é de morrer), gradualmente fui adaptando para que a L., e depois a T., participassem o mais possível nas actividades quotidianas que envolvem a cozinha, desde cozinhar, arrumar ou limpar. 

Para saberem um bocadinho mais sobre este tipo de pedagogia, recomendo a leitura deste post, que sintetiza na perfeição o que são as directrizes de Montessori e de Waldorf. Têm imensa informação da internet e até blogs inteiramente dedicados à pedagogia de Montessori.

Sobre a pedagogia de Montessori na cozinha, seleccionei alguns blogs que encontrei sobre o assunto, mas há muita, mas mesmo muita informação pela internet fora!

MONTESSORI KITCHENS – ROUNDUP

TRADING SPACES IN OUR MONTESSORI KITCHEN

In unserer Küche (este é alemão, mas vão adorar as fotos, quanto aposto)

MAKING SPACE FOR TWO IN THE KITCHEN


A mesa e os banquinhos



Foi uma grande adição à cozinha. Tinha o espaço, só faltava equipa-lo. Já vos falei de como surgiu a ideia de colocar uma mesa pequenina na cozinha (na verdade não surgiu, foi roubada). Mas nem imaginam a quantidade de coisas que por lá se fazem, desde comer, a pintar...



Por vezes mudo-a de sítio para que possam estar a cozinhar ao pé de mim.




Mas sem dúvida que os bancos são a maior adição na cozinha, pois permite-lhes chegarem ao balcão da cozinha para verem, ou tentarem ajudar, ou simplesmente roubar o que estou a fazer para comerem.





Não consigo fazer nada em relação a isto e morro de medo que caiam (nunca aconteceu, felizmente). Elas simplesmente pegam nos bancos, arrastam-nos e toca de trepar. É mais forte que elas (e que eu!!).


Arrumação para elas


Desde que a L. nasceu que tenho um gavetão reservado para ela (salvo seja, para as coisas dela, vá). Consoante foi crescendo, percebi que esse gavetão era mais importante do que eu pensava, já que lhe permitia o acesso aos mais diversos objectos, desde copos, pratos, palhinhas e afins. Actualmente elas vêm ao gavetão buscar louça que precisam, ou para porem a mesa, ou mesmo ajudam a arrumar a louça delas que já esteja lavada.

O talheres estão na gaveta dos nossos talheres, num cantinho onde elas sabem pegar, mesmo não conseguindo ver bem (como é o caso da T.)


Logo abaixo temos o gavetão dos utensílios de culinária.


Rolos da massa, formas, formas de gelado, descascador (que não corta dedos), cortador de maçã, e toda uma parafernália de coisas com que nos divertimos naquelas tardes chuvosas, em que não apetece sair da casa. Os utensílios vão aumentando, consoante as aptidões delas. 

E sim, vou vos mostrar a nossa colecção de cortadores de bolachas (que uso para cortar o pão para as lancheiras também) e para que percebam como é difícil dizer com precisão onde comprei (porque são mesmo muitos).


Esta caixa é só de formas circulares de todos os tamanhos!


Formas geométricas.


Números.


E toda uma quantidade de formas em coração, estrela, flores, anjinhos, ou animais, que possam imaginar. Aqueles carimbos são os que uso para fazer as bolachas com mensagens, que já vos mostrei uma vez.





A despensa


A despensa é um lugar onde tenho cuidado na arrumação. Organizo de forma a que os produtos que elas podem consumir livremente estejam ao seu acesso, reservando as prateleiras mais altas para outros ingredientes aos quais ainda não precisam chegar. Tanto deixo à sua mercê produtos para consumirem de imediato, como as tostas, a garrafa de água e os cereais puff, como produtos que me podem trazer se lhes pedir ajuda.




As caixas com este tipo de fecho são as ideias, já que são mais fáceis para crianças abrirem, havendo menos riscos de espalharem o conteúdo.

A despensa é também onde guardo a pá e a vassoura. Antes guardava no armário debaixo do lava-loiça, mas como guardo lá vários detergentes e utensílios de limpeza, troquei de lugar para que elas não contactassem com esses produtos.



Assim é bem mais fácil quando quiserem (tentar) ajudar nas limpezas.


Frigorífico


A arrumação do frigorífico também é cuidada. Ao nível dos olhos delas coloco as coisas boas: verduras, frutas, legumes, a sopa ou ovos (sempre biológicos). Na porta os alimentos disponíveis para elas.


Tanto pegam para comer, como para me ajudar a preparar pequenos-almoços e lanches.

O frigorífico é também o sítio onde brincam com letras magnéticas. A L. já vai começando a escrever algumas palavras, como é próprio da curiosidade desta idade.




Há várias formas de os envolver nas actividades da cozinha, de que vos falarei mais tarde. Mas o princípio começa em ter uma cozinha preparada para eles, a pensar neles.